Como é conhecimento de quase todos os portugueses (e alguns estrangeiros) ficamos a saber o ano passado pela boca do Sr Ministro da Obras Públicas que toda a Margem Sul do Tejo é um deserto. A notícia, bombástica, apanhou todos desprevenidos, especialmente os habitantes da dita região que só a aí passaram a perceber porque eram mais morenos que os Lisboetas.
Se fizermos uma observação estatística dos hábitos veraneantes dos Portugueses vamos verificar que a malta adora o deserto. Todos os anos são milhares que se deslocam até ao Algarve (que como sabem fica perto dum deserto) e os mais afoitos chegam mesmo a ir até Ceuta e Marrocos. Penso que não há mais Portugueses a ir até Ceuta e Marrocos por causa do medo tipicamente português de ir onde mais ninguém ainda foi. Assim, a fim de permitir que os Portugueses dêem asas às suas fantasias berberes proponho que se inicie um projecto de exploração turística em larga escala no Deserto da Margem Sul.
O projecto conta com inúmeros aspectos a seu favor. Fica bastante perto de Lisboa (tem aliás três pontes fluviais que o ligam de forma directa ou semi-directa com a capital). Conta com várias grandes superfícies comerciais nas quais os turística poderiam encontrar produtos típicos deste peculiar deserto. E já conta com uma população de gente morena bastante importante, que para passarem por marroquinhos só lhes falta as túnicas.
O único senão é a falta do animal mais associado ao deserto: o Camelo. Esta doce criatura que de forma tão amável e bronca transporta os destinos dos seus passageiros é presença obrigatória em qualquer deserto digno de nota e que queira figurar nos destinos turísticos mundiais.
Como resolver este problema bicudo? Poderíamos de facto importa-lo do Norte de África mas talvez não se adequassem ao nosso clima desértico (sim, que eles lá têm um floresta tropical seca e nós temos um deserto húmido, e isso para um camelo faz muita diferença), para além de que era bastante dispendioso.
Um outra solução, bem mais viável e melhor para o eco-sistema local, consiste em transferir animais de um local onde eles existam em número demasiado elevado (ao ponto de prejudicar todo o meio adjacente) e coloca-los em locais onde possam à mesma desenvolver-se mas de forma menos prejudicial. Como é do conhecimento geral há dois locais em Lisboa em que a população de tais mamíferos é de tal forma elevada que tem vindo a prejudicar todo o contexto social, ecológico e económico do País. Falo do Largo do Rato e o do Largo de São Bento. Penso que será do interesse nacional transferir largos números dos elementos dessa comunidade para a Margem Sul (especialmente os lideres de clã). Do ponto de vista ecológico também seria extremamente benéfico para os transferidos pois estes têm manifestado uma coloração de pelo bastante cor-de-rosa quando os seus hábitos sociais se aproximam mais dum laranja ou dum azul com amarelo.
1 comentário:
sempre temos os camelos que pagámos ao Kadafi, ou alguém já se abotoou com os bichos????ZA
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