terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Proposta de Desenvolvimento Turístico no Deserto

Como é conhecimento de quase todos os portugueses (e alguns estrangeiros) ficamos a saber o ano passado pela boca do Sr Ministro da Obras Públicas que toda a Margem Sul do Tejo é um deserto. A notícia, bombástica, apanhou todos desprevenidos, especialmente os habitantes da dita região que só a aí passaram a perceber porque eram mais morenos que os Lisboetas.
Se fizermos uma observação estatística dos hábitos veraneantes dos Portugueses vamos verificar que a malta adora o deserto. Todos os anos são milhares que se deslocam até ao Algarve (que como sabem fica perto dum deserto) e os mais afoitos chegam mesmo a ir até Ceuta e Marrocos. Penso que não há mais Portugueses a ir até Ceuta e Marrocos por causa do medo tipicamente português de ir onde mais ninguém ainda foi. Assim, a fim de permitir que os Portugueses dêem asas às suas fantasias berberes proponho que se inicie um projecto de exploração turística em larga escala no Deserto da Margem Sul.
O projecto conta com inúmeros aspectos a seu favor. Fica bastante perto de Lisboa (tem aliás três pontes fluviais que o ligam de forma directa ou semi-directa com a capital). Conta com várias grandes superfícies comerciais nas quais os turística poderiam encontrar produtos típicos deste peculiar deserto. E já conta com uma população de gente morena bastante importante, que para passarem por marroquinhos só lhes falta as túnicas.
O único senão é a falta do animal mais associado ao deserto: o Camelo. Esta doce criatura que de forma tão amável e bronca transporta os destinos dos seus passageiros é presença obrigatória em qualquer deserto digno de nota e que queira figurar nos destinos turísticos mundiais.
Como resolver este problema bicudo? Poderíamos de facto importa-lo do Norte de África mas talvez não se adequassem ao nosso clima desértico (sim, que eles lá têm um floresta tropical seca e nós temos um deserto húmido, e isso para um camelo faz muita diferença), para além de que era bastante dispendioso.
Um outra solução, bem mais viável e melhor para o eco-sistema local, consiste em transferir animais de um local onde eles existam em número demasiado elevado (ao ponto de prejudicar todo o meio adjacente) e coloca-los em locais onde possam à mesma desenvolver-se mas de forma menos prejudicial. Como é do conhecimento geral há dois locais em Lisboa em que a população de tais mamíferos é de tal forma elevada que tem vindo a prejudicar todo o contexto social, ecológico e económico do País. Falo do Largo do Rato e o do Largo de São Bento. Penso que será do interesse nacional transferir largos números dos elementos dessa comunidade para a Margem Sul (especialmente os lideres de clã). Do ponto de vista ecológico também seria extremamente benéfico para os transferidos pois estes têm manifestado uma coloração de pelo bastante cor-de-rosa quando os seus hábitos sociais se aproximam mais dum laranja ou dum azul com amarelo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Almoçar em Lisboa

Na passada quinta feira tive de me dirigir à zona do Saldanha para poder comprar um livro. Livro esse que foi recomendado para um trabalho de uma cadeira universitária e que se encontra praticamente esgotado, mas isso é motivo para outro texto. Tive de ir ao Saldanha, e como era já perto da hora de almoço (13h pelo meu relógio que é tão credível como eu) resolvi almoçar por alí com a minha mulher. Pensei cá para comigo «com dois centros comerciais a comida tem elevadas probabilidades de ser boa, se não me agradar num vou a outro.» Devia aprender a estar calado, ou neste caso a não pensar. Após ter ido ao primeiro que de dolce não tinha nada, fui ao segundo que é mesmo ali ao lado.
Após ver as várias opções disponíveis, desde duma casa que fazia pizzas e sabe Deus mais o quê mas que não tinha um único preço ou preçário visível, a uma espécie de hamburgaria em que o sal que faltava nas batatas estava todo nos hamburguer (foi o que comi já agora) entre outras coisas, das caríssimas às que não valiam o tabuleiro em que eram servidas, mas nem por isso eram de borla. A minha mulher acabou por comer cannelones deslavados e secos (mas com um belo molho bechamel) e eu um hamburguer com mais sal que o mar morto, uma cola que era uma bela coca e um wrap de camarão com alface que ficou todo colado aos meus dentes. Após estes momentos gastronómicos de rara subtileza (de tal forma que ainda acho que fui roubado, mas isso sou eu com a minha sensibilidade dum calhau) decidimos ir comer umas wafles com chocolate.
Acabamos por ir comer as wafles na tal espécie de hamburgaria (que lembrava uma salina do Tejo) e lá pedi as duas wafles com topping. Não sei se já vos aconteceu estarem a comer qualquer coisa que supostamente é doce mas tem aquele travo a açucar concentrado e queimado, como se já tivesse sido cozinhado à uns tempos e foi recozinhado na altura a fim de ser servido a alguém que ingenuamente pensa que vai comer uma coisa que gosta e que ainda por cima paga por isso. Foi mais ou menos aquilo que comemos. Após termos deixado metade de cada wafle no objecto de cartão a que tinha sido entregue como prato, a minha mulher olhou para mim com aquele ar carinhoso de quem não come à vários dias e perguntou-me "Então onde é que vamos almoçar?"