terça-feira, 3 de março de 2009

Carros e Lisboa - Alguma coisa não funciona

Olá meus caros amigos, colegas, etc etc.
No último sábado resolvi levar o belo do carrinho que conduzo para a nossa bem amada e muito funcional Lisboa.
Depois duma viagem bastante agradável e rápida chegou o sublime momento de estacionar o dito veículo :)
O meu destino foi a zona das avenidas novas, que são dos lugares mais construtivos da cidade, especialmente do ponto de vista turístico e do exercício da paciência, que é uma virtude que nos beneficia a todos. Quando digo do ponto de vista turístico é porque, vindo eu do Campo Grande e tendo-me enganado numa das saídas para as ditas avenidas, fui em excursão turística até ao Saldanha, observando, entre outras coisas, as magníficas obras que decorrem perto daquele local, que são um autêntico atestado à capacidade de perseverança e longevidade das obras Lisboetas.

Quando por fim pude dar por terminada a minha pequena excursão, para grande tristeza minha, porque afinal a gasolina é mesmo para se gastar, lá voltei para trás e aproximei-me do meu destino.

Chegou assim o meu segundo momento Zen do dia, até porque quem trabalha com chinesismos tem mais é que treinar a paciência. Vamos estacionar.

Dei algumas voltas pela zona, fiquei a conhecer imensos pontos turísticos que ali se encontram, como por exemplo, a loja do Lidl (dá sempre jeito), as paragens de autocarro - com a sua tradicional fauna de pessoas desesperadas, o parque de estacionamento cheio de carros da Av Conde de Valbom. Todo este novo conhecimento graças ao carro. E também aos sucessivos governos de Lisboa, que preocupados com o facto dos sub-urbanos (como eu que vivo no deserto da margem sul) não conhecerem bem a cidade. A todos esses Cavalheiros que tanto se esforçam pela cidade o meu obrigado. Contas feitas, ao fim duns 4 km em círculos estacionei o carro e lá fui à minha vida, triste e deprimido por ter dado por terminado o meu exercício da paciência.

Mas a história continua.

Ao fim do dia lá tirei o carrinho a pensar, que chatice, acabou-se a minha romagem por Lisboa, dirigi-me à zona da Baixa (que com as mui necessárias obras do Terreiro do Paço é mais uma nova oportunidade de exercitar a paciência) decidi ir pela zona da Graça.
Esta viagem já foi rápida, mas apenas porque em outras oportunidades já tinha viajado de forma turística por esse trajecto.

Da baixa tive de ir até à Praça de Espanha, pelo que pensei, "hummm, já conheço o caminho, pelo que vai ser uma viagem bastante aborrecida e enfadonha..." Ora sucede que por estupidez minha, ou inteligência dos arquitectos da câmara que mudam sinais de acordo com as necessidades turísticas dos Lisboetas, a verdade é que me enganei e lá fui eu outra vez dar umas voltas, desta vez já de noite, que também é extremamente agradável.

Cheguei à Praça de Espanha, depois duma agradável exploração urbanística que demorou qualquer coisa como meia hora e pronto.... Dei por terminado o meu dia de viagens e fui para casa, alegre com todo o conhecimento novo que adquiri.

Em jeito de conclusão, resta-me dizer que de facto é uma pena que não conheçamos melhor a nossa cidade e que devemos louvar todos os presidentes da câmara de Lisboa, que, nos mais elevados exemplos de altruísmo, preferem ser maldizidos pela população a proporcionar-lhes transportes públicos que apesar de eficazes seriam enfadonhos, sem aventura e sem oportunidade de conhecer a cidade da forma que só quem anda de carros ou nas actuais carreiras da Carris conhece.

Um Bem Haja a esses senhores e que eles possam sempre contrubuir de forma tão eficiente para a construção de virtudes como a Paciência, a Tolerância e a Resignação.!